quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Iminência de explosão populacional preocupa cientistas

Com quase sete bilhões de habitantes, o planeta tem sofrido com impactos ambientais de grandes proporções

 
Quando Mark R. Montgomery, economista americano associado ao Conselho Populacional de Pobreza, iniciou sua carreira, na demografia, no começo dos anos 80, a população mundial era de 4.8 bilhões de pessoas. Já naquela época, estudiosos se perguntavam como a terra teria recursos para dar conta de um contingente populacional tão grande.
No final desse mês, de acordo com as projeções feitas pela ONU (Organização das Nações Unidas), seremos  sete bilhões de pessoas dividindo o planeta, em um momento em que passamos por uma constante mudança climática e ameaças ambientais. Cabe ressaltar que este número não é uniformemente distribuído pelo planeta, e que as transformações não atingem da mesma forma e com igual intensidade as várias regiões do globo.
Onde estão localizadas essas regiões? Quem são seus moradores? Pode parecer estranho, mas ainda não existem respostas para essas perguntas, segundo Montgomery. Ele explica que seria necessário encontrar informações sobre todos os locais existentes. “Precisaríamos de uma varredura completa de todos os locais, até mesmo os mais escondidos. E esse dado ainda é defasado, pois os locais muito isolados ainda não foram encontrados”, explica.
A adaptação à mudança do clima é um dos temas de maior discussão do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC - Intergovernmental Panel on Climate Change) da ONU. Geralmente, as discussões globais são mais focadas na identificação dos responsáveis pelas emissões de gases tóxicos que provocam o efeito estufa e destroem a camada de ozônio, e como fazer para diminuí-los sem reduzir a margem de lucros. Estudos apontam que a abordagem deve mudar. Agora, deve-se procurar saber como e qual parcela da população será mais atingida pelas mudanças climáticas.
A influência da grande massa em efervescência
Deborah Balk, pesquisadora da Universidade da Cidade de Nova Iorque, argumenta que para avaliar o impacto decorrente do crescimento populacional é necessário ter acesso a todas as proporções demográficas: natalidade, mortalidade, idade e a migração. Isso parece óbvio, mas, na prática, ainda é uma grande dificuldade. “As adaptações vem sendo trabalhadas sobre dados demográficos muito vagos”, comenta.
Uma maneira de estimar melhor os futuros danos é ter um controle sobre a taxa de natalidade. Caso contrário, segundo o integrante da ONU, Thomas Buettner, o cenário estimado de nove bilhões para 2050 pode ser uma ilusão. “Bastará que a natalidade permaneça 0,5 ponto acima do previsto para que a população chegue a 10,5 bilhões”, aponta.
Outro dado é que o número de pessoas com mais de 60 anos será triplicado, passando dos atuais 606 milhões para dois bilhões da metade do século. O número de indivíduos acima de 80 anos subirá de 69 milhões para 379 milhões. O Brasil está entre os seis países que terão mais de dez milhões de pessoas nessa faixa etária.
Destruição do meio ambiente, urbanização anárquica e alimentação serão preocupações consideráveis se não houver acompanhamento controlado do crescimento populacional. A escassez de água já é uma realidade em muitos locais. De acordo com dados da ONU, calcula-se que cerca de 150 milhões de pessoas já vivem com quantidade de água reduzida e para 2050 o cálculo pode chegar a um bilhão.
Hania Zlotinik, da área de divisão populacional do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, acredita que a situação poderia ser pior. “Nós poderíamos ser dez bilhões, e somos sete. Fornecer recursos para que todas essas pessoas possam viver bem já é outro desafio”, considera.

NB

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Brasil precisa correr para sediar com sucesso a Copa de 2014

Quarta edição do Rock in Rio, realizada nos últimos dias, serviu para ressaltar certas deficiências na infraestrutura da cidade
Por Rômulo Pontes
romulo_pontes@hotmail.com

Em menos de três anos o Brasil vai sediar novamente, mais de 60 anos depois, a principal disputa do futebol, a Copa do Mundo. Mas, praticamente, as doze cidades-sede brasileiras ainda apresentam problemas que ameaçam comprometer o sucesso do evento. Embora os líderes do nosso governo afirmem que tudo estará pronto a tempo, muitas notícias que provam o contrário pipocam na mídia diariamente.  Em contraponto, o setor hoteleiro e econômico do Brasil nos deixa otimistas.

Segundo a Secretaria da Copa de Minas Gerais, a rede de hotéis em Belo Horizonte, uma das cidades-sede, deverá crescer 60% até 2014, o equivalente a 50 mil novos leitos a um raio de 100 km de BH disponíveis para o evento. A Fifa exige 21 mil leitos disponíveis, levando em conta a porcentagem mínima de 30% que o estádio de Mineirão comporta (69 mil lugares) e a baixa oferta de novos hotéis em Belo Horizonte era motivo de preocupação.

Já o Estádio Mané Garrincha em Brasília-DF, uma das referências para a Copa, foi eleito pelo Comitê Organizador Local da Copa como modelo para instalações no entorno das arenas do Mundial, como centros de mídia e áreas de exposição comercial sobre 200 mil m² de espaço livre nos arredores. Tudo deve ficar pronto até dezembro de 2012 e espera-se que este seja o primeiro estádio do país a conseguir um selo de certificação ambiental por possuir uma estrutura capaz de gerar energia limpa e captação de água da chuva. As obras já avançaram 35% e estão em dia de acordo com o cronograma determinado pela Fifa.

Porém, outras regiões do Brasil que também receberam os jogos da Copa do Mundo não estão com resultados tão satisfatórios. Segundo um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil em setembro deste ano, Manaus, Recife, Natal e Cuiabá são as cidades-sede que apresentam as piores condições de saneamento básico, com menos de 40% do esgoto coletado.

A capital do Amazonas, por exemplo, é a pior da lista. “Comparado com serviços como luz e água, cujos índices de atendimento são bastante altos, o esgoto é sempre o último a chegar às residências brasileiras”, diz Marcelo Côrtes Neri, coordenador da pesquisa da FGV. Em geral, 50% das pessoas têm rede de esgoto nas residências.

Quarta edição do Rock in Rio serviu para apontar falhas na infraestrutura carioca
O Rock In Rio, realizado durante as duas últimas semanas no Rio de Janeiro, destacou a falta de infraestrutura da capital fluminense em receber grandes eventos. A mobilidade urbana e o acesso à Cidade do Rock, localizada na Barra da Tijuca, foi um dos principais transtornos para quem precisava se locomover pela cidade para chegar ao evento. Segundo Fernando MacDowell, professor de engenharia da UFRJ, a falta de planejamento é um problema na preparação do Rio de Janeiro para a Copa do Mundo de 2014, e consequentemente para as Olímpiadas de 2016.

Já a cidade de São Paulo receberá a abertura da Copa e o estádio do Itaquerão vai ser responsável pelo pontapé inicial dos jogos. Por enquanto, o desafio é construir a linha de trem rápido São Paulo-Rio-Campinas e novas linhas de monotrilho, que ligarão os aeroportos da cidade às outras linhas de metrô existentes.

Os aeroportos de Congonhas e Guarulhos, por exemplo, receberão respectivamente R$ 165 milhões e R$ 1,4 bilhão para investimentos em reformas e construção de novos terminais para poder atender a grande demanda do evento esportivo. Certamente, todas a estrutura do país gerada para a Copa do Mundo será aproveitada para os Jogos Olímpicos de 2016, incluindo arenas multiuso projetadas especificamente para as outras categorias desportistas e outras já existentes construídas para o Pan de 2007.

O Ministério do Turismo lançou um site para promover as 12 cidades-sede com o objetivo de apresentar os pontos turísticos brasileiros com visualizações panorâmicas e a possibilidade de interação do internauta. Conheça a nova ferramenta através do link www.braziltour360.com.